A Irmã da Sombra de Lucinda Riley

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O carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro. Estou encantada com a capacidade da autora transladar de forma tão natural de uma época para outra e de como criou personagens tão interessantes, carismáticos e com personalidades marcantes que complementam toda a narrativa com seus brilhos individuais.

Sinopse

 

Em A irmã da sombra, terceiro volume da série As Sete Irmãs, duas jovens igualmente determinadas, porém de séculos distintos, conectam-se por meio de diários que retratam uma vida intensa de superação, amor e perdão.

Estrela D’Aplièse está numa encruzilhada após a repentina morte do pai, o misterioso bilionário Pa Salt. Antes de morrer, ele deixou a cada uma das seis filhas adotivas uma pista sobre suas origens, porém a jovem hesita em abrir mão da segurança da sua vida atual.

Enigmática e introspectiva, ela sempre se apoiou na irmã Ceci, seguindo-a aonde quer que fosse. Agora as duas se estabelecem em Londres, mas, para Estrela, a nova residência não oferece o contato com a natureza nem a tranquilidade da casa de sua infância. Insatisfeita, ela acaba cedendo à curiosidade e decide ir atrás da pista sobre seu nascimento.

Nessa busca, uma livraria de obras raras se torna a porta de entrada para o mundo da literatura e sua conexão com Flora MacNichol, uma jovem inglesa que, cem anos antes, morou na bucólica região de Lake District e teve como grande inspiração a escritora Beatrix Potter. Cada vez mais encantada com a história de Flora, Estrela se identifica com aquela jornada de autoconhecimento e, pela primeira vez, está disposta a sair da sombra da irmã superprotetora e descobrir o amor.

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Resenha

Escrito por Lucinda Riley, “A Irmã da Sombra” é o terceiro livro da série “As Sete Irmãs”. Ainda não li os outros da série, mas a leitura fluiu sem problemas. É uma obra de ficção com fundo histórico (com direito a bibliografia e tudo).

A capa condiz totalmente com o conteúdo, tanto em cor quanto características físicas de quem está estampada. A narrativa varia entre primeira (Estrela) e terceira pessoa (Flora) e possui diálogo bem alternados. Estou encantada com a capacidade da autora transladar de forma tão natural de uma época para outra e de como criou personagens tão interessantes, carismáticos e com personalidades marcantes que complementam toda a narrativa com seus brilhos individuais. Apesar das protagonistas terem algum envolvimento amoroso, o livro não foca em casaizinhos. É uma história sobre família e a busca de autoconhecimento, “o seu lugar no mundo”.

A escrita de Lucinda Riley é única: romance, aventura e temas sociais relevantes. A obra é recheada de temas que te levam a refletir e a ter insights o tempo todo: traição, rejeição, perdão, superação, autoconhecimento, autoconfiança, convivência familiar, questões de gênero, entre outros. A autora ainda aborda, mesmo que de forma leve, a cultura surda e a depressão. A maneira que Lucinda tece as palavras faz com que você seja capaz até de sentir o cheiro da comida sendo preparada. Eu gosto disso. Ela cria rotinas e é fiel a elas. As coisas vão acontecendo sem atropelamentos (e também sem enrolação) e ainda contamos com vários mistérios para as páginas finais.

Estrela não é muito ambiciosa. Gosta de coisas simples: cuidar da casa, cozinhar, jardinar. Possui um exterior calmo impenetrável. A capacidade de escutar é uma de suas maiores forças. Conforme o livro avança, ela começa a sair da concha e cria conexões mais profundas com os outros. Não só ela, mas todos evoluem e amadurecem de alguma forma. Flora também possui uma história muito cativante, cheia de desafios e superação (muitas vezes roubou a cena, deixando Estrela em segundo plano).

O único ponto “negativo”, digamos assim, é que senti que estava lendo dois livros ao mesmo tempo e que as personagens brigavam por atenção (pois são protagonistas igualmente fortes). Particularmente, acredito que deveria ter focado mais em Estrela ao invés de dar tanto espaço para Flora (afinal, é “A História de Estrela”). Também não relata como Pa Salt conseguiu aquelas informações, ele continua muito misterioso (lerei os outros livros pra ver se consigo respostas). No mais, é uma leitura envolvente e muito satisfatória.

Pude compreender a visão de Lucinda através da “Nota da Autora” e me simpatizei ainda mais com ela. Quero o resto dessa série, pois estou bastante curiosa para descobrir o destino (e o passado) das outras irmãs. Uma autora que entrou pras “queridinhas”.

“Não é incrível como se pode caminhar pelo raso durante anos, sem que nada mude, e então, do nada, um maremoto de acontecimentos empurra você para o mar aberto ou traz você suavemente até a praia?” (p. 430)

Se a autora quis passar alguma mensagem, acredito que seja:

De nada adianta tomar uma decisão errada por causa do sentimento de culpa. Assuma seus erros com a mesma coragem que teve pra cometê-los. Nada dura para sempre, embora os humanos esperem que sim. Tudo o que se pode fazer é aproveitar as situações enquanto possível. Não perca as pequenas alegrias aguardando a grande felicidade. O amor não machuca, a perda dele o faz. O amor acende a pessoa por dentro. Um ser humano sem amor é como um botão de rosa sem água: sobrevive por um tempo, mas nunca desabrocha por inteiro. Às vezes nos sentimos como uma folha sendo soprada pelo vento, totalmente impotente para controlar o próprio destino. É muito fácil se convencer a não mudar a situação pra melhor, sobretudo quando a mudança nos amedronta. Aprecie a mudança. É preciso ser valente se quiser que a vida mude. Nunca é tarde para mudar nosso destino. O único responsável pelo seu destino é você, é preciso ajudá-lo a acontecer.

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4.2 Romance

Escrito por Lucinda Riley, “A Irmã da Sombra” é o terceiro livro da série “As Sete Irmãs”. Ainda não li os outros da série, mas a leitura fluiu sem problemas. É uma obra de ficção com fundo histórico (com direito a bibliografia e tudo).

About The Author

Professora de matemática e leitora apaixonada.