A dor de perder quem amamos…

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Fui uma criança muito tímida, isso se estendeu por toda minha adolescência e juventude e por causa disso, me expressar com palavras sempre foi algo complexo. Nunca consegui demonstrar meus verdadeiros sentimentos e criei o hábito de escrever por conta disso. Meus diários eram meus amigos e companheiros, neles aprendi a expressar minhas alegrias, dores e paixões. Não é a toa que gosto de escrever e hoje sou blogueira… Hoje completa 7 dias da morte de minha mãe. O pior dia de minha vida. Preciso expressar meus sentimentos e acredito que algumas pessoas irão se identificar aqui.

Acho que desde o dia em que tive os primeiros fragmentos de consciência, meu maior medo e pior pesadelo seria o dia em que minha mãe morreria. Um medo que guardei só pra mim por todos esses anos. Quando eu era criança, minha mãe cantava uma canção de ninar que tinha o efeito completamente ao contrário comigo. A canção é mais ou menos assim:

“Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Só sei te dizer, eu quero te amar. Azul é teu manto, branco é teu véu. Mãezinha eu quero te ver lá no céu.”

Bom, sempre que ela cantava eu abria o berreiro e nada no mundo me fazia parar de chorar. Ainda hoje, já adulta, não posso ouvir essa música que meus olhos se enchem de lágrimas. Explico o motivo. Na minha mente de criança, associei o “mãezinha do céu” e o “Quero te ver lá no céu” com minha mãe morrer. O pânico me invadia e jamais eu queria pensar nessa possibilidade. Claro que eu sabia que isso aconteceria um dia, mas quem é sã consciência vai ficar imaginando que isso vai acontecer assim tão rápido?

Para que vocês entendam mais ou menos o que aconteceu e o que me fez sumir das redes sociais e daqui do blog, vou explicar. No início desse mês (abril) minha mãe sentiu fortes dores e foi internada no hospital. Lá ela fez exames e os médicos suspeitaram de leucemia e a mandaram de volta pra casa. Ela continuou sentindo dores horríveis e no dia 14 ela foi internada as pressas na UTI. Meu irmão que mora lá em São Paulo me ligou e me mandou dar um jeito pra ir pra lá porque o estado dela era muito grave. Larguei tudo aqui e fui correndo com meu outro irmão pra São Paulo no dia 14 mesmo. Quando cheguei lá ela já estava na UTI e recebi a notícia de que ela estava com câncer em estado terminal na medula e no fígado, sem nenhuma possibilidade de tratamento, ou seja, só nos restava esperar o dia em que ela iria nos deixar. Esperança? O que é isso? Toda esperança que existia nos foi arrancada. Fiquei em choque e sem chão e ainda assim tive que me manter forte porque ela não sabia de nada.

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Você consegue entender a dimensão do negócio quando você está diante do seu maior pesadelo e sem esperança nenhuma? Claro que nossa mente não quer aceitar isso. Não vou nem citar aqui o quesito fé, porque isso ninguém consegue tirar de nós. Mas, humanamente falando, estar diante de uma situação onde não há esperança e nem possibilidades é algo devastador e desesperador. Se não fosse Deus em minha vida, não sei o que seria de mim.

Eu passei os piores 10 dias de minha vida. Acredito que conheci o inferno. Dias inteiros no  hospital ao lado de minha mãe gritando e gemendo de dor. Os remédios eram paliativos que chegaram em um determinado momento que não faziam mais efeito. A dor que eu senti foi tão grande que não consigo mensurar em palavras. Essa história que falamos “entendo sua dor” sem nunca ter vivido não é verdade. Ninguém consegue entender essa dor sem ter passado por ela. Ninguém. Podemos imaginar, mas não é nem 1 terço do que sentimos realmente quando vivemos ela. Os dias ali me fizeram pensar em muitas coisas dessa vida e também me fizeram ter novos valores para as coisas. Impotência é um sentimento doloroso.

Nesses 10 dias percebi o quanto damos valor para coisas sem sentido. O quanto somos mesquinhos. O quanto achamos que podemos tudo. Deixamos de valorizar aquilo que realmente importa: a família, o amor, o estar próximo de quem amamos. O maior arrependimento que levarei pro resto da minha vida será não ter beijado e abraçado mais minha mãe.

Sabe, eu acreditava que a cena mais chocante que  vivenciaria seria ver minha mãe em um caixão. Isso me tirou noites de sono… e na realidade não foi. O momento mais chocante, mais doloroso, mais desesperador, mais angustiante, foi presenciar as horas de dor e sofrimento dela antes de dar o último suspiro de vida. Sim, eu estava ao lado dela quando isso aconteceu. Ver ela no caixão doeu muito, mas ao mesmo tempo me deu uma sensação de que ela havia descansado. Todos esses momentos ainda me causam pesadelos e não me deixam dormir direito.

A dor é grande. A carga emocional é enorme. Ainda estou anestesiada com tudo o que aconteceu e minha ficha está caindo lentamente. Sei que esse período de luto vai passar e que apenas a saudade vai ficar, mas é tão difícil saber que uma pessoa tão cheia de vida se foi e que não terei mais o abraço e o carinho dela comigo. Esse texto foi mais um desabafo porque todos esses sentimentos estão represados no meu coração. Não dá para descrever o que estou sentindo e o que senti no hospital, mas é mais ou menos como estar no meio de uma multidão e se sentir sozinha, com um vazio no lugar do coração. Um buraco negro…

Saudades…

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About The Author

Nerd, Geek, viciada em livros, youtuber, aspirante a jornalista, apaixonada por animais e nas horas vagas tenta ser engraçadinha.