É me desconstruindo que me construo

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Durante grande parte da minha vida valorizei, além do necessário, a opinião alheia ao meu respeito. Não bastasse a minha autocrítica severa, as recriminações de meu espelho e o fato de me sentir um ser estranho entre corpos tão perfeitos e dentro dos padrões, ainda me importava com a opinião alheia. 

Um olhar enviesado em minha direção, um “Você tem um rosto tão lindo…” ou um “Nossa, como você engordou!”, era mais do que suficiente para me fazer ficar trancada no quarto, sem querer ver ninguém, chorando e me sentindo a pior pessoa do mundo. Nem vou falar sobre os apelidos infames que recebia na época da escola. 

Sempre sofri muito para aceitar meu corpo. Ser a única gorda da turma nunca foi fácil, não para uma pessoa extremamente tímida e que não queria ser o centro das atenções. Tentava desesperadamente mudar o foco  para outras qualidades minhas, porém, é muito difícil competir com as beldades do colégio quando se tem apenas um cérebro inteligente para mostrar. Alguém aí se apaixona por cérebros? Acho que a grande maioria dos adolescentes não…

O patinho feio

O espelho sempre foi meu inimigo. Comprar roupas sempre foi torturante. Meus problemas de baixa autoestima só aumentaram com o decorrer do tempo e pioraram com os meus relacionamentos fracassados. Passei a me ver como “a gorda que ninguém quer” e acreditava que necessitava do olhar apaixonado de um homem para me achar bonita. Por muitos anos essa foi a minha realidade e vivia aceitando os relacionamentos que acreditava merecer. 

Um dia tudo mudou. Não, eu não passei a aceitar totalmente meu corpo, mas entendi que eu sou gorda e que isso não significa que sou pior ou melhor do que ninguém. Isso só significa que sou gorda e ponto. Esse é o meu corpo, essa sou eu, com as curvas, as gorduras, as celulites, as marcas e também com toda a minha essência e caráter. Eu sou gorda e não preciso estar dentro de padrões para me sentir linda.

A desconstrução

Foto: Rafael Davidson

Nada acontece como num passe de mágicas. Não fui dormir me sentindo horrível e acordei olhando para o espelho com outros olhos. Passei e passo por um processo diário de aceitação, desconstrução e autoconhecimento. Eu consigo me aceitar como sou, mas tem dias que encaro o espelho e não gosto do que vejo. Tem dias que me incomodo com olhares tortos. Há dias em que algumas opiniões me afetam. Ainda não consigo publicar fotos sem filtros…

Travei uma batalha enorme antes de publicar essa foto que embeleza meu texto. Meu eu de baixa autoestima gritou, desesperado, me chamando de louca e falando que estou horrível e que perdi o juízo completamente; o meu eu desconstruído me implorou para publicar e escrever esse post. Quem vocês acham que ganhou a batalha?

A desconstrução e a aceitação é diária. Um dia de cada vez. Um pouquinho de amor próprio por dia. Cada vez que tenho coragem de fazer algo que nunca fiz e que olho de uma forma diferente (positiva) para mim mesma, é uma vitória e as vitórias precisam ser comemoradas. 

Então para hoje eu deixo a seguinte mensagem: sim, eu sou gorda, e me amo assim. Se aceite como você é!

Imagem de LhcCoutinho por Pixabay

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About The Author

Escritora, Geek, amante dos livros, youtuber, apaixonada por animais e não larga uma xícara de café.