Humanos e sua capacidade de abandonar…

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Olha, vou dizer uma coisa pra vocês, o negócio não tá muio fácil pro meu lado. O ano de 2016 tem sido um ano de perdas e hoje tive mais uma. Vocês sabem que amo animais e tenho (tinha) 6 cachorros. Dentre eles uma era velhinha, filha do Xaropinho (aquele que morreu no início do ano), e a idade começou a pesar (quase 15 anos). Ela começou a ficar mais sonolenta, fraquinha, de umas 3 semanas pra cá e na semana passada ela não queria comer direito a ração dela, então percebi um sangramento em sua boca. Corri pro veterinário, gastei o que não tinha, ela foi medicada e melhorou, mas ainda não queria comer ração e comecei a dar aqueles sachês pra cachorros.

Domingo passado (22/05) ela teve um sangramento nasal e ficou bem ruinzinha. Continuou se alimentando e sendo medicada, mas na terça já não queria mais comer e estava apenas bebendo água e água de coco. Percebi que o intestino já não funcionava mais e me toquei que minha velhinha estava partindo. Bom, resumindo… com toda essa crise dinheiro pra pagar um veterinário e fazer exames, internações, tratamento não existe e dei todos os cuidados necessário pra ela em casa. Com o coração partido e me sentindo completamente impotente, pensei em levá-la ao CCZ pra uma consulta, mas se um médico veterinário particular decente já está difícil de achar, quem dirá em um órgão público. Ontem de manhã ela teve uma pequena parada respiratória mas voltou a respirar. Eu e meu pai não dormimos a noite com ela sentindo dores e com a respiração ruim, hoje a tarde a levamos ao Centro de Controle de Zoonoses para ser atendida.

E esse testo não é para falar apenas sobre minha perda, mas para falar sobre descaso. A hora que passei ali no CCZ esperando atendimento me fez refletir sobre muitas coisas. Vivemos em um país onde os órgãos públicos não funcionam. Sejam eles para atender pessoas ou animais. O CCZ é um centro de controle que evita a proliferação de doenças para os humanos, então ele está ligado indiretamente a nós. Descaso não é novidade por aqui, já que o nosso SUS é uma maravilha… Só que não! Quando cheguei com meu pai lá na Zoonoses (assim que chamamos por aqui), os funcionários nem queriam nos atender pra início de conversa. Falaram apenas que a veterinária não estava, não tinha hora pra voltar e que eles já estavam indo embora… Meu pai precisou quase fazer um escândalo para ser atendido pela coordenadora do local que informou que a veterinária tinha ido sacrificar um cavalo que caiu em um buraco, mas que retornaria e nos mandou esperar em outra área do Centro.

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Esperamos, esperamos e esperamos mais um pouco até que apareceu um funcionário lá e ficou conversando com a gente. Um senhor muito legal e que nos deu atenção. Nada da veterinária e um bom tempo depois de espera minha Bombom teve outra parada respiratória e morreu nos meus braços sem ao menos ser atendida. Tá, não foi culpa da veterinária, ela não estava, mas um Centro de Zoonoses de uma capital como Maceió ter apenas 1 veterinário trabalhando? Muito tenso isso… Meu pai ficou muito abalado pois a Bombom era companherinha dele e enquanto ele se acalmava pedi pra ver o canil, já que eu estava do lado. E  foi lá no canil que presenciei outras cenas de descaso e me fez pensar seriamente que a humanidade não tem salvação.

O funcionário me acompanhou e foi me contando a história dos cães e gatos que estão lá. Aliás, todos estão para adoção e tem animais lindos, amorosos e que só precisam de um lar com amor e responsabilidade para demonstrar todo seu potencial de doação. Me partiu o coração ver como eles são tratados. Ficam em um local jogado as traças, tomando sol e provavelmente chuva porque é dentro de um galpão aberto . Se tiver “chuva de vento” com toda certeza vai molhar as “celas”. No gatil, animais sadios junto com os que acabaram de chegar e estão doentes; e um que havia acabado de morrer junto com eles… Foi no gatil e em uma baia de frente a ele que vi as histórias mais tristes.

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Um gato enorme de gordo, doente visivelmente, foi abandonado por seu dono alegar que ele estava muito agressivo. O gato é lindo e com certeza existe tratamento pra ele, mas é mais fácil se desfazer do animal do que ter trabalho. Um Rotwailer idoso que foi abandonado simplesmente por ser idoso em uma cela pequena demais para o seu porte. A tristeza no olhar desses animais é tão profunda que me doeu a alma. Apesar de estar “acostumada” com esse ambiente por causa de minha antiga ONG, nunca irei me acostumar com a capacidade do ser humano de descartar as coisas. Descartar pessoas, animais e tudo aquilo que requer um pouco de trabalho.

Não consigo compreender como alguém consegue fazer uma coisa dessas com um animal que conviveu por anos. Um animal que faz parte da vida de uma pessoa por anos ser jogado fora como se não fosse nada. Bem, na verdade isso não me surpreende visto que muitos fazem isso com os próprios pais, imagina com um animal! Pior do que isso foi ver uma cadela abandonada por ter uma patinha defeituosa… Gente, chega a ser absurdo!

Enfim, vivemos num tempo onde o descaso impera. Um tempo em que as pessoas estão cada vez mais egoístas, frias e se desfazendo com muita facilidade de coisas que deveriam ter mais importância.

Hoje é um dia triste. Mais um dia triste em minha vida. Mas, além de ser triste é um dia revoltante. Espero apenas que um dia a humanidade acorde.

Adeus Bombom. Agora você pode correr e brincar ao lado de seu pai Xarope e de sua mãe Linda!

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About The Author

Nerd, Geek, viciada em livros, youtuber, aspirante a jornalista, apaixonada por animais e nas horas vagas tenta ser engraçadinha.