Não se deixe levar pelo “Comportamento de Manada”

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Apesar de ser uma pessoa ligada às redes sociais e trabalhar com isso, posso dizer que sou muito desligada do que acontece no universo internético. Sou sempre a última a saber dos memes (às vezes nem vejo), não acompanho tretas, nem a vida de ninguém. Vez ou outra dou de cara com as “novidades” e muito raramente acontece o que aconteceu hoje: acompanhar a treta desde o comecinho.

Quem trabalha com literatura – seja autor ou blogueiro – sabe o tanto de tretas que aparecem numa frequência gritante, pipocando nas redes sociais. É autor que foi abduzido; é autor não aceitando uma resenha negativa feita por um blogueiro; autor forjando a própria morte pra depois “ressurgir das cinzas”; parente de escritor xingando os leitores para dar ibope ao livro; autores passando a perna em outros. E por aí vai. É muita loucura, muita briga de egos e muita coisa sem noção.

Treta nossa de cada dia

A novidade do dia foi um rapazinho que andou plagiando resenhas de outros blogueiros em seu instagram com mais de 225 mil seguidores. E pasmem, ele tem uma quantidade de seguidores muito maior do que Tati Feltrin e ninguém nunca ouviu falar da criatura! Até hoje. O que mais causou revolta – além do plágio, é claro! Que é crime por sinal. – nos blogueiros/instagrammers foi o rapaz ter parcerias com editoras. Até aí é normal, visto essa quantidade exorbitante de seguidores do dito cujo, mas o grande problema é que o perfil dele não tem nada de literário. Tirando as resenhas plagiadas ele tem muita foto pessoal. E algumas editoras aceitaram ele como parceiro.  No mínimo estranho.

Compreendo a revolta dos meus colegas. Sabemos que ser blogueiro literário é difícil, como tudo que envolve literatura aqui no Brasil é. É um meio bem competitivo (sem necessidade porque tem espaço para todos) e difícil para conseguir um lugar ao sol. E ver  uma pessoa que comprou seguidores “ocupar” o espaço de alguém que trabalha sério nas parcerias com as editoras, realmente é revoltante. Vocês conseguem ter uma noção do que aconteceu? Vou resumir.

Por causa do resultado de parceria de uma editora divulgado ontem, nossos Xérox Holmes literários foram fuçar os perfis dos selecionados e encontraram o rapaz. Descobriram os plágios e começaram a denunciar. Denunciar no instagram, denunciar nos grupos das editoras, mandar mensagem pras editoras que ele tinha parceria. Procedimento correto. Nada errado em fazer isso, o problema começa a partir do ponto a seguir.

Revolta geral. Grupos pipocando com prints, comentários, links das resenhas copiadas e coladas descaradamente. Todos denunciando a conta no instagram. O rapaz colocou a conta como privada. Se por vergonha, medo ou sei lá o que, não tenho como saber. Fizeram uma enxurrada de comentários nas resenhas dele. E aí começaram os ataques verbais. Como ele estava em um dos grupos de uma editora, pegaram o número do whatsapp dele e começaram a enviar mensagens xingando, chamando de safado, sem vergonha, mau caráter, etc. Encontraram o perfil pessoal dele no facebook e mais ataques à criatura que já deveria estar se sentindo um lixo ambulante.

Comportamento de manada não é legal!

Bom, isso me fez pensar muito seriamente sobre o “comportamento de manada” ao qual acabamos nos envolvendo sem nem perceber. Mas afinal, o que é isso?

O comportamento de manada (ou efeito manada) é um termo usado para descrever situações em que indivíduos em grupo reagem todos da mesma forma, embora não exista direção planejada.

Os psicólogos também usam o termo para “descrever situações em que um grupo de indivíduos reage de maneira semelhante, mesmo que de forma irracional, apenas por causa da pressão exercida pelo grupo”.

Ou seja, sabe aquela velha frase de nossos pais quando queriam nos alertar sobre perigos e sabiamente nos diziam “não seja uma Maria-vai-com-as-outras”? É basicamente isso!

Não estou aqui defendendo a atitude do rapaz que plagiou os textos dos outros. Sou terminantemente contra isso. Já fui lesada por conta de plágio e sei o quanto a situação é chata para quem tem seu texto copiado, dando os louros para outra pessoa que sequer teve o trabalho de reescrever o texto. NUNCA serei a favor do plágio. É crime e todo crime merece sua punição. A denúncia deve ser feita e o material retirado do ar. Ponto final. Sem choro e nem vela.

Mas, eu também sou totalmente contra essa onda de ataques às pessoas que cometeram algo errado. A partir do momento que passamos do ponto do que é correto, cometemos coisas erradas também. Nossas atitudes carregam um peso, seja ele positivo ou negativo. Todo esse ataque ao rapaz pode ter uma consequência bem grave, pois não sabemos qual o perfil psicológico da pessoa. Toda essa pressão nas redes, esses ataques verbais e exposições, podem ser um gatilho para ele cometer o suicídio, por exemplo. Temos que pensar e medir muito os nossos atos para não acabarmos tão errados quanto o ser que estamos nos achando no direito de julgar.

Sabe aquela palavrinha que parece ter sumido da vida das pessoas, a empatia? Pois é, precisamos usar mais ela. Precisamos pensar com racionalidade, deixando a emoção de lado, medindo as consequências do que fazemos e falamos. Ser pessoas melhores e retribuir o mal com o bem. Fazer justiça da forma correta e não com as próprias mãos. Também precisamos deixar a hipocrisia de lado, porque, convenhamos, muitos dos que atiram pedras estão tão sujos quanto o “condenado”, não é mesmo?

E a minha mensagem pra hoje é: não seja uma Maria vai com as outras! Pratique a empatia!

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About The Author

Escritora, Geek, amante dos livros, youtuber, apaixonada por animais e não larga uma xícara de café.