Resenha | Mr. Mercedes

89

2017 está sendo um ano muito bom para os fãs de Stephen King. Várias adaptações de obras do autor estrearam esse ano nas telinhas e telonas, inclusive Mr. Mercedes, série baseada nos livros da trilogia Bill Hodges do nosso querido mestre do terror.

Antes de continuar lendo esta resenha, aperte o play e entre no embalo de “It’s Not Too Late” do T-Bone Burnett, música de abertura da série (que por sinal, combina perfeitamente):

O que me fascina na escrita do King é a sua capacidade de mesclar gêneros em suas obras. É também, o fato do autor saber explorar muito bem os medos que nós temos, criando histórias assustadoras. Seja lá qual for o gênero que ele escreva, uma coisa sempre vai estar presente em suas obras: o terror. Seja terror psicológico, sobrenatural ou o suspense sufocante…

Mr. Mercedes não seria diferente. A trilogia está dentro do gênero literatura policial e o assassino é tão perturbado mentalmente, que nos causa ânsia do começo ao fim. Apesar do Harry Treadaway ter interpretado um perfeito Brady Hartsfield, a série (talvez o roteiro?) deixou um pouco a desejar na construção desse serial killer.

Mr. Mercedes: um jogo de gato e rato

Antes de mais nada, é preciso dizer que a série não segue o livro ao pé da letra. Tem várias coisas diferentes, até mesmo personagens que não existem no livro, mas a essência da trilogia está bem presente. Eu gostei muito da série, mas confesso que prefiro o livro.

Assim como no livro, a adaptação opta pelo terror psicológico e uma corrida contra o tempo, num perfeito jogo de gato e rato, entre ex-detetive e assassino. Assassino esse, que já conhecemos desde o primeiro episódio. O objetivo aqui é saber quem vai ser mais rápido para capturar o outro e não descobrir a identidade do assassino.

Bill Hodges (Brendan Gleeson), um detetive aposentado, depressivo e mal-humorado, não está sabendo lidar com sua saída da polícia. Ele passa seus dias em frente à televisão, bebendo e olhando para a sua arma. Bill parou de se cuidar, de cuidar da casa e não consegue se conformar em ter deixado o caso do Mr. Mercedes em aberto quando se aposentou.

Esse crime frio e, ao que tudo indica, premeditado, tornou-se a maior frustração do detetive.

Do outro lado, Brady Hartsfield (Harry Treadaway), o assassino do Mercedes, separou um tempinho entre seus dois empregos e os cuidados com a mãe alcoólatra, para provocar o detetive que jurou capturá-lo em rede nacional. O intuito de Brady era provocar o suicídio de Bill, mas ele não contava que suas investidas virassem o incentivo que o detetive aposentado precisava para resolver de uma vez por todas esse crime.

Corrida contra o tempo

Essa coisa do autor já entregar para os leitores/telespectadores a identidade do assassino funciona muito bem. Isso torna a série mais dinâmica e o foco passa justamente para a perseguição que ambos fazem um contra o outro. O foco também está voltado para os dramas pessoais de cada um dos personagens principais e suas construções psicológicas.

Bom, algumas coisas me incomodaram na série. Bill foi muito bem representado, mas o Brady… o personagem se descaracterizou. No livro nós conhecemos uma mente doente, totalmente perturbada, tão assustadora que chega dar calafrios durante a leitura e na série ele foi relegado a ser um simples sádico.

Coisas na trama foram mudadas, trocadas e elementos novos inseridos, tentando fazer sentido para a série, mas que na verdade não fariam a menor falta se não estivessem lá. É o caso da Ida, a personagem de Holland Taylor, que foi criada exclusivamente para a série, com o intuito de reduzir a dureza da situação do Bill, mas que pra mim poderia nem estar ali porque não fez a menor diferença.

Um assassino sádico e um detetive deprimido

Além da trama principal (investigação sobre o assassino do Mercedes), acompanhamos em paralelo os dramas familiares de Brady e Bill, e os dramas de cada um é bem pesado… Apesar das mudanças e da história se perder um pouco em um determinado momento, recomendo que assistam a série.

Uma das coisas que casa perfeitamente com os personagens é a trilha sonora. O responsável por isso está de parabéns porque conseguimos definir muito bem a personalidade dos personagens através de seus gostos musicais.

Bom, para quem ainda não leu o livro, posso dizer que é uma série policial muito boa. Para aqueles que leram, com certeza irá encontrar coisas que irão desagradar, mas ainda assim o saldo final é positivo. A segunda temporada foi confirmada e espero que David E. Kelley e cia. acertem no roteiro, porque essa trilogia promete muita coisa boa.

Concluindo: apesar dos problemas encontrados, é uma série com um ótimo suspense e uma boa dose de ação. Vale a pena assistir.

Total 0 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

3.7 Policial

Mr. Mercedes é uma adaptação do livro homônimo do Stephen King, que estreou no último dia 9 de agosto no canal Audience Network. A série é estrelada por Brendan Gleeson e Harry Treadaway, dirigida por Jack Bender e tem como roteiristas David E. Kelley e o próprio Stephen King.

About The Author

Nerd, Geek, viciada em livros, youtuber, aspirante a jornalista, apaixonada por animais e nas horas vagas tenta ser engraçadinha.