Dark e o oceano que não conhecemos

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Dark chegou ao fim e precisei de um dia para conseguir colocar as ideias no lugar e vir aqui falar sobre a série com vocês.

Três temporadas intensas e insanas que me deixaram com um misto de sentimentos. Estou dividida entre aceitar o fim e o desejo de ter um pouco mais dessa história. Só sei que Dark deixou saudades.

É muito difícil falar sobre Dark e não soltar algum spoiler. Vou tentar não contar muito sobre a trama, mas o ideal seria que você assistisse primeiro a série e depois voltasse aqui para ler esse post. E já deixo o aviso: preste muita atenção em tudo. Os mínimos detalhes fazem toda diferença.

Eu assisti todas as temporadas assim que lançaram, mas como Dark tem muitos detalhes, muitas linhas temporais e muitos personagens, decidi fazer uma maratona junto com minha amiga Carol antes do lançamento da última temporada e assistimos novamente a 1ª e a 2ª. Foi muito bom fazer isso, visto que eu percebi que havia deixado alguns detalhes passar e isso fez toda a diferença.

Aliás, eu não recomendo que você faça o mesmo que eu. Quando assisti a série pela primeira vez, maratonei todos os episódios direto, isso na 1ª e na 2ª temporada. Eu não recomendo pelo seguinte: Dark é uma série cheia de informações e é preciso fazer diversas associações, o que acaba cansando a nossa mente e isso faz com que deixemos passar muitos detalhes importantes. Então, assista com calma, assimilando tudo, prestando atenção em tudo.

A primeira temporada

O primeiro episódio já começa bem tenso. Vemos um homem se enforcando e a primeira pergunta que fazemos é: o que está acontecendo? E meus amigos, essa é a pergunta que nos acompanha no desenrolar de todas as temporadas. Esse primeiro episódio nos apresenta o clima da série e devemos esperar por tensão do começo ao fim.

No segundo episódio somos apresentados aos núcleos das famílias e é aí que começamos a ficar confusos. Kahnwald, Nielsen, Tiedmann e Doppler, além de todos os agregados que fazem parte dessas famílias, são o nosso foco. Logo, anote esses nomes e preste atenção nos detalhes.

Na cidade de Winden (interior da Alemanha) algumas crianças desaparecem e é aqui que inicia todo o mistério e o embaralhamento do nosso cérebro, porque, meus amigos, a coisa fica muito séria.

Não é segredo para ninguém que Dark (também) fala sobre viagem no tempo e quando as linhas temporais mudam, o telespectador é jogado junto nesse buraco de minhoca e fica tão perdido quanto os coitados dos personagens que acidentalmente se aventuram a percorrer as linhas temporais. Sabe a perguntinha que nos acompanha? Em suma, ela se faz muito presente daqui em diante.

E se vocês acham que os 10 episódios da primeira temporada vão te dar respostas, você está muito enganado… Estamos falando sobre Dark e aqui não é só uma simples viagem no tempo. Estamos falando da pura aplicação da física, de como ela trabalha ativamente em nossas vidas, e como ela se interliga com a filosofia. Essa não é uma série fácil de se entender ou divertida, ela é pra te fazer pensar e jogar você diante de muitos paradoxos.

Já falei que Dark é aquela série que faz você pensar muito? Não assista pensando que você vai relaxar ou se divertir. Bom, se divertir você vai, se for tão louco quanto eu por desvendar mistérios, mas relaxar? Definitivamente tire o cavalinho da chuva!

O que sabemos é uma gota…

Saímos da primeira temporada com a mente cheia de perguntas, todas fervilhando, enroscadas no emaranhado de Dark e seus muitos paradoxos, para entrar na segunda temporada, esperando que os 8 episódios nos tragam respostas.

Nessa segunda temporada obtemos algumas respostas ao mesmo tempo que são inseridos outros mistérios. Na verdade ela faz uma ponte ligando coisas que já conhecemos bem como nos apresenta o lado obscuro dos moradores de Winden, com suas falhas que se repetem e repetem e repetem.

Dark nos mostra que tendemos a sempre cometer os mesmos erros, seguindo (quase) sempre o mesmo caminho, fazendo as mesmas escolhas, não importando por onde caminhamos. Partindo do pressuposto que vivemos em um looping infinito de possibilidades, a série afirma que sempre acabamos escolhendo as mesmas coisas, simultaneamente ela nos deixa uma mensagem que: se decidirmos mudar, a gente consegue fazer diferente.

Como falei antes, não recomendo que você assista essa série toda de uma vez. Dark precisa ser assimilada e ruminada. É preciso digerir tudo, pensar nas cenas, nos detalhes, fazer associações. Você fica dias pensando e surtando quando se atenta para algo que passou desapercebido.

… O que não conhecemos é o oceano.

E nós chegamos na terceira temporada. E olha, quando a gente pensa que começou a compreender tudo, que nossas teorias serão confirmadas, tudo cai por terra e só conseguimos ficar cada vez mais chocados ao descobrir como o roteirista foi incrível em fazer as ligações. Tudo realmente está conectado em Dark.

Eu não sou uma estudiosa das cores, entendo muito pouco, mas é visível como as cores contam uma história. Tudo em Dark é sombrio, escuro, depressivo. As cores, junto com o clima da cidade (sempre chuvoso), dão o tom da série. Se você prestar bem atenção, o amarelo vivo só está presente no protagonista, o detentor da esperança de que tudo pode mudar, seja ele Jonas ou Martha. E quando ambos trocam o amarelo da capa de chuva pelo preto? É exatamente o momento onde a esperança se esvai e eles apenas seguem o fluxo até se deparar com alguém que a princípio não tinha muita importância, mas que é a resposta.

Eu não quero dar spoiler para não estragar sua experiência, por isso vou parar por aqui, porém preciso destacar algumas coisas.

Primeiramente o roteiro. Gente, que roteiro fantástico! Tem falhas? É claro que tem, afinal estamos falando sobre viagem no tempo, universos paralelos, efeito borboleta, etc. Porém, o roteirista criou um mundo (mundos na verdade) com uma árvore genealógica estupidamente complexa e desenrolou isso em várias linhas temporais, associando tudo de forma magistral no final. Tão incrivelmente magistral que até agora estou tento pequenos surtos ao me dar conta de pequenos detalhes. É ao mesmo tempo insano e incrível.

Segundo, os atores deram um show de interpretação. Não só isso, a escolha do elenco foi perfeita. Os atores escolhidos para interpretar os personagens nos diferentes tempos são tão parecidos que por alguns momentos cogitei se tratar da mesma pessoa, o que seria impossível já que nós não temos uma máquina do tempo, certo? Certo? Eles conseguiram transmitir as emoções necessárias com gestos, olhares, trejeitos, de forma tão maravilhosa que só posso aplaudir de pé.

Somos todos um erro na Matrix

E por último o desfecho. Jamais, em todas as teorias que eu criei, imaginei que o desfecho seria aquele. Foi um final esperado, porém não o que eu achei que seria. A série deixou algumas perguntas sem resposta, mas elas perderam a importância quando chegamos ao desfecho. Tudo foi esquecido após aquele final que nos entregou uma solução convincente para o problema. E eu confesso que fiquei ao mesmo tempo com o coração aquecido e partido.

Dark é uma série que com certeza me marcou. Vou carregar comigo, em meu coração, e jamais esquecerei de que nós só conhecemos uma gota desse vasto oceano que é o universo. Também carregarei comigo a mais pura verdade de que nós somos apenas um erro na Matrix.

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5 Sci-fi

Dark é uma série que com certeza me marcou. Vou carregar comigo, em meu coração, e jamais esquecerei de que nós só conhecemos uma gota desse vasto oceano que é o universo. Também carregarei comigo a mais pura verdade de que nós somos apenas um erro na Matrix.

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Escritora, Geek, amante dos livros, youtuber, apaixonada por animais e não larga uma xícara de café.