Quarentei na quarentena…

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Se a expectativa de vida de uma mulher brasileira é, em média, viver até os 80 anos, hoje eu cheguei no meio do caminho. Isso é gratificante e também assustador… Fazendo uma retrospectiva desses 40 anos, a sensação que tenho é a de que já passei por todas as experiências imagináveis e ao mesmo tempo, é como se minha vida estivesse apenas começando, com uma infinidade de coisas para experimentar. É um sentimento ambíguo, complexo demais para ser explicado. Acredito ser uma luta entre corpo e alma, ambos com anseios e expectativas tão conflitantes.

Enquanto meu corpo começa a apresentar algumas limitações, indicando o peso da idade, minha alma se recusa a aceitar qualquer tipo de prisão. É até engraçado… O corpo, novo (no auge dos meus 40 anos), pensa que é velho; O espírito, ancestral, sente-se jovial. Um controverso universo, refletindo exatamente o que se passa em minha mente. E no que essa briga maluca me transformou? Uma menina-mulher que conhece bem suas limitações e não tem medo de envelhecer ou ficar presa pelos limites impostos por um corpo cansado, afinal, meu espírito é apenas uma criança!

É, chegar aos 40 não é tão ruim como eu achava quando tinha 15 anos. Amadurecer não me trouxe apenas os cabelos brancos… Eu poderia dizer que estou assustada por já ter vivido metade de minha vida, mas ao contrário, estou radiante! Nos últimos 40 anos eu já passei por tantas coisas… Coisas boas e ruins que me moldaram e me prepararam para enfrentar os próximos anos que virão.

Sou grata a Deus por ter chegado até aqui. Me sinto uma vencedora. É difícil acreditar que em tão pouco tempo eu já vivi tanto! Nesta vida eu:

  • Amei e tive o prazer de ser retribuída; também conheci a dor de perder um grande amor e engasguei com o gosto amargo da decepção.
  • Consegui realizar alguns sonhos e tenho tantos outros ainda…
  • Descobri que meu maior tesouro é a minha família e aprendi a valorizá-los como merecem; perdi a mulher que mais amava (minha mãe) nessa vida e sobrevivi ao desespero que isso me causou. Resiliência…
  • Vivenciei e sobrevivi a uma pandemia!
  • Aprendi a me aceitar exatamente como eu sou. Sei exatamente quais são meus limites.
  • Encontrei o meu caminho, a minha vocação. Escrevi e publiquei um livro. Plantei árvores. Distribuí amor. Me tornei vegetariana e aprendi a respeitar a natureza.
  • Amo passar um tempo só comigo mesma. Eu sou minha melhor companhia.
  • Entendi que estranhos podem se tornar pessoas muito importantes e que pessoas próximas podem nos machucar muito. Ganhei irmãos (que não compartilham o mesmo sangue) nesse processo.
  • E, o mais importante de tudo, aprendi a me amar.

Eu queria fazer uma festa para comemorar meus 40 anos, mas isso é impossível no cenário atual. Quarentar em uma quarentena significa estar perto (fisicamente) apenas dos de casa. Porém, virtualmente e em meu coração, quero comemorar com todas as pessoas importantes para mim e isso inclui cada amigo, parceiro, leitor, seguidor. Isso inclui você, que me ajudou a passar por todo esse processo de autodescoberta, aceitação e que me incentiva cada dia a querer viver os meus próximos 40 anos da melhor maneira possível, escrevendo, criando reels (vídeos do instagram) e levando um sorriso (ou lágrima) ao seu rosto. Muito obrigada por fazer parte desses meus 40 anos de vida!

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About The Author

Escritora, Geek, amante dos livros, youtuber, apaixonada por animais e não larga uma xícara de café.